Sobre moda Paris, desfiles, botas brancas e amarelas...










Uma coisa que sempre me impressiona em ambientes de moda é a fascinação que algumas pessoas que o frequentam têm em fazer parte dele. É como se elas ignorassem completamente o que acontece lá fora ( talvez ignorem, não é mesmo?) ou não estivessem realmente preocupadas em dar um valor maior ao momento exato que vivem. Eu sempre amei ir a desfiles e continuo gostando, menos, mas continuo. Explico: 
As roupas passam rapidamente na nossa frente. Não rola descrever com detalhes o que se viu e tampouco captar o que passou completamente pela cabeça da equipe criativa, mas é sempre uma boa fonte de inspiração, nem que seja para analisar o olhar perdido de alguns que passam por ali. E isso fala mais do que tudo sobre o momento que a moda vive agora.  Nele, no rapaz do abre e depois da minha frente nos desfiles, eu vejo uma total entrega ao label, por exemplo. Tênis da Dior do tempo do Raf Simons, coisa que ele fez muito bem em comprar, pois já não os temos mais, a não ser em imitações ou em outras versões, mas não mais do Raf.  O casaco é da Miu Miu ( achei a foto dele na entrada de um desfile dela, com outro  casaco e abri o post para vocês verem como é),  mas se não for não tem a mínima importância, pois ele estava ali, naquele momento e isso é que fez seus olhos vidrarem.  Eu queria falar dos desfiles e frequentar esses ambientes hoje virou isso. Uma espécie de poder irracional e absurdo invade quem consegue entrar e sentar na primeira fila. Conheço gente que se comporta de acordo com o lugar que ela está  sentada. Se está na frente, faz carão e pode até nem te cumprimentar, caso você não esteja. É isso que fez a moda perder um pouco a graça para mim, não ela em si, mas as pessoas que a frequentam. Falta mais amor ao que se faz. Menos deslumbre. E mais respeito uns pelos outros. Eu gosto de sentar em qualquer fila, às vezes estou na primeira e outras nem lugar tenho, mas observo tudo da mesma maneira. Absorvo o que posso do ar desses tempos tão confusos, mas ainda assim com uma beleza, é só procurar que a gente acha. 


Mudando de assunto...


As modas do ano até agora:


O amarelo Hermès que vem ainda em 2019 e que eu já tinha falado no meu insta no inverno e também tinha citado nas minhas aulas de moda.











As botas brancas que vocês vão absolutamente ver por tudo, e não apenas elas, também sapatos, scarpins e sapatilhas. Estava nas ruas, nos desfiles e agora nas vitrines. Again.



Mas para quem está no começo da temporada de primavera ou pré, aviso: tenham vestidos longos, coloridos, fluidos. Usa assim com uma mule e arrasa. 
Por que é tão bom cruzar com mulheres lindas e reais e ver o que realmente é uma moda de rua, sem labels, mas com um gosto e uma beleza tremenda. 



Não é nada contra os labels, percebo apenas um abismo imenso entre o que a maioria das pessoas pode pagar e o que peças de marcas de luxo custam.  Tento me separar dessas imagens impostas? A moda que não pode ser comprada, exclui, cria complexos que não são bons para nossas atoladas cabeças de deveres de consumo. Acho que rola bem sermos lindas e lindos sem nenhum problema.  É comprar o que podemos pagar e ficaremos muito mais livres e menos uniformizadas. Francamente? Todo mundo igual com roupa cara é prova de falta de estilo e isso mata o senso principal de elegância que deveria ser mais importante do que tudo, mas não tem sido assim. Não ao menos no panorama que eu vejo.  Como jornalista independente é o que eu posso aconselhar. Olhar mais as ruas em geral que vitrines de lojas milionárias. Ter parcimônia no seu julgamento e tentar ser alguém mais interessante que a bolsa que você carrega na mão. Claro que eu olho as vitrines das lojas caras, mas levo sempre comigo o espírito de que aquilo é feito para ser consumido com moderação. Evito, assim, a frustração. Muitas vezes me perguntei o que mudaria na minha vida se eu comprasse algo muito caro, coisa que fiz obviamente em outras épocas, com menos consciência e mais impulso ( juro que não tem relação com épocas em que tenho mais ou menos dinheiro). É simplesmente uma questão de consciência. E de valores. Prefiro viver mais livre do que ficar presa a uma necessidade de um objeto. Pronto. Virou quase um manifesto. Sorry. Foi essa a resposta que encontrei para minha pergunta.






É isso meus amores. Me sigam no Instagram @anagarmendia ! Estou frequentemente em ação lá.

E me digam o que gostaria de discutir por aqui, ok?


Gros bisous
A+

4 comentários:

SANDRA TOSCAN disse...

Aquela Jornalista, escritora, comentarista, etc... que voce respeita, Ana Clara Garmendia,tu existe. Adoro!

SANDRA TOSCAN disse...

Aquela jornalista, escritora, comentarista, etc... que voce respeita, Ana Clara Garmendia, tu existe. Adoro!

Madi Muller disse...

Os textos na medida , que falam nossa língua e entendem nossa alma ...compartilho das tuas sensações sobre a moda , sempre tão bem descritas , e fico aliviada por não me sentir um ET nesse meio, rssss, mas às vezes sou.

João disse...

Feliz que você voltou aqui!! Ou melhor: retomou! Saudade do luxo nos anos 90, do conhecimento, da profundidade no consumo e principalmente dos egos um pouco inflados que por ali circulavam. Tento entender o que "as moda" viraram no momento, a caracterização excessiva mas principalmente áqueles os quais lhe consomem atualmente. Fazendo uma ponte: Viu que as Kardashians estao usando muito Gucci da era Tom Ford? Então, rs! Bjãão! ❤️

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