Moda Paris faz 10 anos... Street style... Karlie Kloss, Peter Marino, Ulyana Sergeenko, Daphne Guiness, Kate Holmes, Karlie Kloss , Elena Perminova...


Faz dias que me ensaio para escrever essas linhas. O Moda Paris começou há exatamente 10 anos. Foi em 2006 quando vim para Paris pela primeira vez para ficar uma longa temporada que ele nasceu. Naquela época eu já tinha um site, mas na transição de países o sistema de lá não funcionava no daqui e eu acabei entrando para o blogspot. Eu queria muito mostrar a moda das ruas. Ver as pessoas e suas escolhas de looks em viagens foi algo que sempre me fascinou. Uma das minhas primeiras matérias de jornalismo de moda foi exatamente com fotos feitas nas ruas de NY ( já contei aqui, acho). Aqui comecei o trabalho da formiguinha. No Brasil, eu já tinha uma carreira de colunista e jornalista consolidada no Paraná. Aqui eu era alguém de um estado e cidade que ninguém nunca tinha ouvido falar no meio da moda. Foi um desafio me credenciar para os desfiles. Para a moda francesa Curitiba não representava nada e como explicar que eu queria ver as apresentações e que lá tem sim gente que vem para cá e consome moda? Bem, ela continua não representando, mas eu fui trilhando o meu caminho aqui no blog com minhas postagens e logo apareceram frilas para fotos de sites importantes como Style.com e Vogue. It. Sem querer, minhas fotos acabaram sendo vistas pelo mercado e tendo uma saída inesperada. Eu não era fotógrafa. Eu apenas queria fazer fotos de pessoas nas ruas para mostrar o que elas usavam e assim comecei. Fotografava no dia a dia e postava. Paralelo a isso, falava sobre desfiles, revistas, looks de famosos, notícias do mundo da moda. Com o tempo, acabei sendo totalmente absorvida pela fotografia. Virou uma paixão. Uma obsessão fazer fotos cada vez mais tecnicamente belas. Eu sempre fui um foto-jornalista e continuo sendo. Sempre achei que, para ilustrar meus textos, o melhor eram minhas fotos. E assim continuei durante um tempo com alguns sites, jornais, com a Vogue Brasil e em alguns projetos sozinha. Depois fiz tanta coisa como o Telegraph.com. E ainda fiz um livro. O Retrato de Uma Cidade do Século 21. Uma conquista. Mais de 200 páginas com fotos e textos. Um pouco da minha vida despejei ali, mas ainda escreverei mais. Com o tempo tudo isso, toda essa roda viva de mais de 60 PFW e acho que quase mil desfiles, se contar entre Brasil e aqui, acabou gastando um pouco. O papel de fotógrafa me tirou o papel de jornalista e eu não gostei de ser maltratada em desfiles.  Cheguei a passar pelo momento onde, durante um desfile de uma marca famosa, eu não tinha mais o direito de sentar por ter uma máquina na mão. Foram algumas decepções que me fizeram dar um tempo. A fotografia está ao alcance de todos, mas a sua alma, não.  Eu precisava valorizar a minha linha de pensamento. Poxa, são mais de 20 anos de jornalismo. Uma vida cheia de sonhos como vir para Paris e ver um desfile. Realizei tudo isso, mas preciso de vida real, de moda de verdade, de sorrisos ( e são tantos) e de beleza. Continuo hoje com minhas fotos. Retomei o trabalho como jornalista com colaborações com o Terapia do Luxo, O Bem Paraná, a Revista Têxtil e migrei para a Elle Brasil. Todas essas mídias muito me orgulham. Mudei o foco para um jogo duplo mesmo. 
Quero falar, fotografar, relatar e, principalmente, compartilhar o meu conhecimento com quem se interessa pelo que posto. Por isso, meus amores, aqui um apanhado de imagens que marcaram esses anos e que eu escolhi para ilustrar esse post de comemoração, esse post de dedicação, esse post que faz meu coração estar apertado, que me fez perder noites de sono com essa página até então em branco diante dos meus olhos, mas que hoje eu encerro para recomeçar ou para continuar. 

Escolhi algumas imagens que marcaram esse período: 


















Espero que gostem. Semana que vem tem mais nas redes sociais da Elle Brasil e também nas minhas. Adicionem meu  snapchat anagarmendia68. Isso mesmo, nasci em 68 e hoje tenho 48 anos de idade muito bem vividos e cheios de histórias para compartilhar. Voilà. Viva todos nós que acreditamos no real com frufru. É assim que sou: bem real, mas meio fresca para algumas coisas. Uma mulher cheia de manias, vaidades, mas repleta de amor para dar e nunca vender. 


Som?

Vai aí também....
















Bisous

A+


Bill Cunningham... RIP




Esse olhar simples e atencioso de Bill Cunningham, morto ontem aos 87 anos, vai deixar um tremendo vazio no mundo da moda. Bill era o "pai de todos" fotógrafos de street-style do mundo. Um homem de hábitos simples que, nas muitas vezes que trabalhei ao lado dele, jamais trocou uma palavra comigo. Pouco importava. Eu estava ao lado de alguém que me inspirou a tirar a ideia de fotografar gente da rua de um simples projeto pessoal para um âmbito profissional. Nos idos de 1999, numa de muitas idas a Nova York, fiz minhas primeiras fotos de rua. Eu tinha uma máquina Canon com filmes e voltei entusiasmada com o resultado de uma passeada em Greenwich Village. Ainda as guardo com carinho. Foi uma revelação. As fotos de rua real eram e são uma bola mágica para a gente entender a moda das passarelas, para pressagiar as tendências. Eu não conhecia ainda o trabalho de Bill mas, uma amiga que havia morado nos Estados Unidos, a Juliana Mercadante, me mostrou as maravilhosas páginas que Bill fazia no NYT. Foi nesse momento que eu percebi que minhas ideias e minha paixão pela moda de rua não eram novidade nenhuma. Existia Bill e fazia tempos. Aquelas páginas no NYT, publicadas por um septuagenário americano ( isso faz 17 anos) me ajudaram a seguir em frente com o ir para as ruas aqui em Paris e mostrar a maneira como as pessoas se vestiram, apesar da falta de apoio de meus amigos fotógrafos profissionais que consideravam "fotos de merda". Eu não liguei. Eu sabia que existia uma utilidade e que os leitores iriam gostar.  Fotografar gente na rua é como espiar a janela do vizinho. Um portal para o futuro. Eu sentia isso. Eu queria fazer e fiz.



A partir de 2006 eu comecei a andar pelas ruas de Paris com minha máquina e também foi o ano em que fiz minhas primeiras portas de desfiles com o olhar atento aos convidados até mais do que aos desfiles. E a partir daí comecei a cruzar frequentemente com Bill. Como eu contei lá no começo do post, ele nunca falou comigo. Ele não era de muitas palavras. O seu negócio era observar, fotografar algo que lhe interessasse com sua máquina ainda com um rolo de filmes. Bill nunca a deixou. Sua fotografia foi ultrapassada em qualidade pelas centenas de fotógrafos que chegaram após, mas seu olhar e seu comportamento nunca foram batidos. Ele não era um prepotente, não virava a cara para ninguém e nem vestia roupas de marcas que o patrocinavam. Ele nem precisava disso. Era um personagem imbatível que não precisava de mais propaganda. Seu trabalho e seu comportamento eram o encanto do mundo da moda ao qual ele se reportava. Ele vestia sempre a mesma roupa, a mesma jaqueta ( teria quantas do mesmo modelo?) azul e a calca cáqui. Ele não andava acompanhado. Chegava só. Saia só. Seu lance era entra a imagem, a descoberta da próxima moda e pronto. Nunca vi Bill em meio a patotas de fotógrafos americanos que se tornaram famosos depois dele, repetindo. Vi sempre esse sorriso terno, essa expressão de quem viveu a vida fazendo o que mais amava. Um homem que exercia sua profissão sem segundas ou terceiras intenções. O foco eram as ruas, as modas, as cores, as pessoas e de onde elas saiam tampouco importava para ele. Ele disparava sua máquina por quem tivesse algo a mostrar. Algo a ser desvendado. Bravo Bill Cunningham. Você vai fazer falta nesse circo de vaidades que se tornou a fotografia de street-style. Você abriu uma grande brecha com um trabalho lindo, mas raros ( ou inexistentes) os que tem a mesma paixão, devoção e humildade. Descanse em paz. 


PS: Na foto do abre, Bill ao lado de Carine Roitfeld em um desfile da Dior. 




Liberdade para ser vestir-se como uma sexy girl...Street style real... Pelas ruas de Milão...


Tô nessa de retomada de tudo e acho que a moda anda comigo. Olhando ainda as fotos que não publiquei nos últimos tempos e, em meio a discussões pesadas no Face e na realidade sobre a condição feminina, encontro essa foto que eu fiz em Milão 2014. Street style real. Um anúncio do que veríamos nas passarelas da Louis Vuitton em 2016? Ou apenas uma moda que permanece e as marcas sacaram que é bom investir nesse estilo por que vende?  A verdade é que as ruas reais são uma grande inspiração para todo mundo que cria e quer conectar com o que acontece e com os consumidores que estão na órbita. Por isso, Yves Saint Laurent fazia viagens por países que estavam na moda enquanto era criador de sua própria marca e sempre voltava com coleções que traduziam o ar daqueles tempos. Agora a vibe é a mesma. Ir em busca do que o povo quer consumir, do que as mulheres querem comunicar e do que queremos usar. Parecem ser a mesma coisa, mas não são. Tem gente que consome para gastar. Outros para provar que estão em uma determinada escala da sociedade e outros apenas porque curtem se vestir e se sentir bem dentro do que usam. Dentre esses personagens que fazem a grande gama de consumidores de hoje e confundem a cabeça de muitos estilistas ( por isso existem resultados tão desastrosos, além da falta de gosto de quem realmente tem grana para comprar. Outra discussão) estão as garotas sexys ou sensuais como a da foto. Quem nunca viu um personagem desses em um filme, um desenho japonês ou 
uma mulher que não tem origem oriental mas se veste assim? Quem nunca deu passagem a essa mulher com jeito de fatal e toque de menina? Pois é. Eu gosto e muito desse tipo de código e sabe por quê? É uma provocação à liberdade de expressão através da roupa. As mechas vermelhas, as meias sensuais, mas divertidas, a bolsa dando o toque nada a ver com o look que faz ela não ser tão certinha e por isso mais a ver ainda com a real mulher que somos. Enfim. Taí um look que dá de 10 no da mulher de botas longas e minissaias. Taí uma opção excelente para brincar com seus poderes de sedução, sem ser igual às outras mulheres picadas pela mosca da modinha que todas querem fazer igual. Fica a minha dica. Eu já comprei as minhas meias sensuais que não são iguais as da foto, mas que vão me tornar, a minha maneira, uma sexy woman. A hora é agora. Vestir-se para a sedução de si mesma. Sentir-se linda, poderosa e pouco importa o olhar que os outros vão lhe enviar. Liberdade ma belle... Somos todas livres para isso. E vamos fazer valer essa nossa força. 
Bisous
A+

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