O olhar para o futuro é vintage...Demna Gvasalia, Sinead O'Connor, Prince, Gypsy Kings, Rochas...

Labyrinth
Essas fotos não são novas aqui. Nessa reorganizada que estou dando em toda a minha carreira, recebo mensagens de leitores, viajo no tempo, em textos que ficaram aqui adormecidos, mas que refletiram grandes momentos meus e dessa página. Tudo isso me faz ter mais vontade ainda de arrumar a casa para recebê-los. Perdi as senhas do Flick. Não consigo ter acesso às minhas próprias imagens, mas vou conseguir resolver esse problema. Tudo no tempo certo. Assim como essa vontade de louca de pegar com a mão tudo que deixei passar nesse período. Me pergunto hoje como consegui abandonar um projeto que salvou minha vida. Quando em 2006 comecei o Ana Clara ou Moda Paris, era uma recomeço também. Acuada por problemas pessoais vim parar aqui em Paris. Assim fui construindo os posts, fazendo as fotos de rua, indo aos desfiles e descobri que as portas eram maravilhosas. Eram fontes de inspiração tanto quanto as passarelas e depois até mais. Fora isso eu sempre amei ver as pessoas nas ruas. Gente rica, pobre, branca, preta, vermelha, homens, mulheres, crianças, idosos. Eu sou uma jornalista poxa, uma curiosa, uma fofoqueira profissional! Gosto de ver e reportar e de me basear no que vejo para tirar minhas conclusões. Foi assim que fui aprendendo a falar francês, sem vergonha nenhuma de cometer minhas gafes e de ser corrigida ( com delicadeza) por quem sabe mais que eu. Detesto a pretensão dos que acham que sabem tudo. Detesto quem se julga mais por saber o que o outro não teve a oportunidade de aprender, não importa o motivo. Detesto julgamentos precipitados, mesmo que eu mesma já os tenha cometido em algum momento do meu passado.
Estou aqui desabafando entre essas imagens que fiz faz um tempinho, mas que falam muito sobre a moda de hoje. O vintage que a Gucci imprime com a força de um criador que sacou que o passado tem muito a nos dar.  Alessandro Michele simplesmente tirou a marca do limbo em 3,2, 1... Nas mãos de Alessandra Fachinetti estava chato. Ela não conseguia recomeçar o sucesso que Tom Ford imprimiu por lá, foi então que entrou Alessandro. No começo, julguei, achei que não ia rolar, mas foi uma tacada de mestre. A volta do desejo de uma marca que foi super desejada na década de 70. A volta a essa época. Why not? Super rolou. Já viram?


Campanha de 2015...


Mas as peças desse ano são ainda mais geniais. Obras de arte. Vintage tratado com luxo. Apaixonada também por essa linha bem fantasia. Pode ser divertido. Pode trazer aquele sopro novo para nossa moda. Já trouxe e esse sopro novo vem cheio de história! 





Fiquem com mais uma imagem vintage minha do street Paris:


AMO





minimalwhere


Todas elas estavam perdidas no tempo. Não são de agora, mas poderiam ter sido lançadas ontem. A moda transforma o ontem em hoje e sempre nos faz reviver bons momentos. É isso que a turma que comanda a Vetêments ou a Courrèges, duas marcas que são os chouchous da moda parisiense. Uma por trazer o coletivo para frente ao invés de uma pessoa só. O fim do ego único, embora o chefe do bando Demna Gvasalia seja agora também uma estrela, pois assumiu a Balenciaga, mas mesmo assim vão fazer todos juntos a Couture inverno 2016 com a Vetêments, ou seja, vem mais revolução por aí. 
Essa jovem turma ( a grande parte deles têm menos de 30 anos) quer fazer tudo de uma maneira mais orgânica, de uma forma que seja usável, desejável, ligado com o urbano...E tá rolando. Eles já tem peças no Museu das Artes Decorativas. São grandes e respeitados como uma nova maneira de encarar a vestimenta nessa década. Nesse século. 

E hoje, nas minhas andanças ( tem isso no meu snap anagarmendia68), ao voltar para casa, me surpreendo com uma cena: um parque lotado de jovens dançando o som de Gypsy Kings. Como assim? Isso mesmo. A volta ao que é muito bom e a revalorização de músicas, roupas, estilos, comportamento, nunca esteve tão no coletivo popular. 

Fica o som para inspirar esse momento cigano. Para constar: esse grupo fez um sucesso doido na década de 80. Os jovens de hoje estarem dançando eles pelos parques de Paris é curioso.



As meninas nas ruas voltaram a raspar a cabeça como nos anos 80. Sinead O'Connor feeelings e por aí vai:


E se ela cantou uma música de Prince que acaba de partir e que a compôs assim como Purple Rain... A cor púrpura também é moda no pré-fall da Rochas...

Mules bordadas com meias e casacos desestruturados... Conecta com o passado e dá o ar do futuro..

É isso. Atravessamos o tempo. Nos reinstalamos para viver e defender um estilo de vida ligado à arte, à liberdade e ao artesanal de luxo.
Expero ter me expressado bem.
Bon Week end!
Bisous
Ana 



2 comentários:

fatima celentano disse...

como sempre uma delicia de artigo!
pena que meus comentarios anteriores se perderam no cyber space...
queria dizer que te eu acho uma profissional extremamente criteriosa, divertida, uma voz linda, e um jenesequá de aristocrata. alem de bonita, claro. como voce, eu tambem adoro aprender coisas de todo tipo, leio livros (de papel mesmo) em continuçao, tambem sou curiosissima e tento de todo modo preencher a lacuna da falta de uma formaçao academica. nao deu, nao pude estudar...
voce notou que praticamente todas as marcas fizeram um bomber nesta estaçao? so que a gente nao ve nas ruas!
um beijo carinhoso
fatiminha

Ludo Henrique disse...

Campanhas da Gucci (70s) me fascinam.
:D

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