Paris Portraits... PFWSS17 , Bob Dylan...




 Fiz uma bateria de fotos exclusivas para mim e para a ELLE Brasil nessa temporada ( LINK AQUI). .Já contei ( acho) que fotografar portas de desfiles ficou muito complicado. As boas imagens são mais raras e eu não tenho mais a mesma visão sobre essas mulheres que frequentam as portas de desfiles, acho muitas delas muito ensaiadas, são poucas as que me convencem serem realmente personagens que vestem as roupas e não apenas um look à venda no corpo de uma bela mulher. Sei que fiquei meio chata, radical, mas é o exercício do olhar e da vivência no dia a dia em Paris. Aprendi aqui que é possível ficar linda, sem forçar a barra nas caras, bocas e marcas, aliás é o que mais algumas parisienses sabem fazer. Se virar com a imensa referência cultural de moda que tem em meio a maior crise financeira dos últimos tempos. Não vou aprofundar a crise. Todo mundo sabe do que falo. 

Então, nessa temporada escolhi alguns recortes desse ano de 2016, dessa moda que traz anos 90, 80 e vai ao renascentismo em alguns bons momentos 
(precisamente em camisas e vestidos, fruto da passagem do Raf Simons pela Dior). O efeito Maria Grazia Chiuri ainda vai acontecer...







E sobre as moda...  Tem a explosão midiática da Vêtements, com a mistura de elementos e siglas dos tempos da URSS pobre e comunista ao modernismo de hoje de uma parte da Rússia rica e hypada. E ainda a bem revisitada Gucci com uma boa bateria de bolsas que dão vontade de ter, apesar de serem extremamente copiáveis e comerciais, mas ainda assim dá desejo, tesão pela peça. O conjunto da obra ficou bom. A Vêtements e a Faith Conection já me cansaram um pouco. Tudo que força muito desgasta. De todas essas ainda fico com a francesa Cèline ou com a genialidade da Comme des Garçons que coloca na roupa todo o sentimento do mundo. 

Falando ainda de moda...




O momento é também dos rústicos. Os tricôs bem peludos,  com cara de usados e que podem até ser, porque a gente tá vivendo uma fase de vintage incrível.  Sem grana para comprar roupas novas, o povo se joga nas lojas de usados e faz sua própria moda. É uma das tendências do mercado que eu mais acredito. Não falo de luxo, por que esse não tem crise certa, já que o dinheiro apenas gira, troca de mão, mas não some nunca. Falo de contexto da realidade da maioria das pessoas que trabalham, tem uma grana estável ou nem tanto, pois são freelancers e consomem moda e estilo de vida na cadência que o dinheiro vai entrando, mais ou menos. Essa é uma das minhas constatações com base também na série de entrevistas feitas para o site da Elle Brasil. Muita gente apostando na elegância e no uso de peças especiais como saída para estar bem vestida, sem muita frescura. Vou colocar aqui o link da mais recente personagem que fala bem isso:


Lea Cohen e suas preciosas dicas de elegância, simplicidade e lugares bacanas para comprar e sair em Paris. Passa lá na ELLE.



É isso gente....

Saudades enormes de todos. Me acha diariamente no Snapchat anagarmendia68 e ainda nos canais que vocês conhecem: Facebook Ana Clara Garmendia e Instagram anagarmendia.

Vou soltar um som para fechar bem essa segunda:

Bob Dylan, o Nobel de Literatura de 2016, um fato genial e novo... A música como expressão literária. Amo essas quebras de paradigmas...





Fui...


Bisous

A+






Dior, PFW, 2016...

Gente! Aqui a coluna de hoje no jornal Bem Paraná!


Replico com outras fotos!




Terminei anteontem a Semana de Moda de Paris. 





Vamos ao que interessa então? A palavra de ordem vem da nova diretora artística da Dior, a italiana Maria Grazia Chiuri. “We should all be feminists”. 

Ao criar uma camiseta branca com a  frase que todas nós devemos ser feministas, Maria Grazia coloca as mãos em um terreno difícil: a realidade de termos que nos defendermos contra todo e qualquer ataque machista e o luxo que a marca francesa Dior representa vendendo a imagem de uma mulher perfeita, um objeto de desejo e por isso alvo de críticas e julgamentos. O feminismo foi visto por longos anos como um movimento radical. A discussão é longa e ele não tem como resistir sem o ser, visto que nossa sociedade é voltada ao poder do macho. Mas em 2016 é hora de repensá-lo e a principal dificuldade é: temos que estar juntas para atender ao real e único princípio do feminismo: não nos deixarmos ser massacradas emocionalmente e nem fisicamente pelos homens. O resto deveria ser esquecido, não importa a sua nacionalidade, idade, poder aquisitivo, defenda as mulheres sempre! Sem essa de julgamentos pró-misoginia. Somos livres para sermos o que quisermos e temos o direito e a o obrigação de apoiarmos umas às outras. Uma por todas e todas por uma! Vamos nessa? Fica aqui a minha mensagem e alguns toques de moda. Bisous. Viva nós!






HASHTAGS

#PRATA
#FUTURISMO
#FRANJACURTA

#BLADERUNNER

Street Style, MODA REAL, ELLE Brasil... Pat McGraph...



Uso uma foto que eu amo e que não faz parte do assunto que vou tratar aqui no post, só porque eu amo e esse é um blog também de fotografia! E também para mostrar esse make lindo de maquiagem perfeita da saída de um desfile da On Aura Tout Vu em Paris, julho passado.

Muitas das entrevistadas do projeto que vou contar aqui hoje amam o batom vermelho! É um dos ítens indispensáveis das Parisienses!

Por isso, minhas queridas, se vocês têm boca para tal se joga na linha nova da Pat McGraph:

Tem uma coluna minha no Bem Paraná que fala sobre:



Naomi com o novo batom da Pat McGraph... 

Acessa aqui e lê a coluna que eu fiz com a colaboração da Luiza Garmendia. 




Vamos às novidades? Vou contar um pouco do que ando fazendo fora daqui. Não vou enrolar com promessas de posts semanais (até porque ninguém tá nem aí para isso, kkkk). Fica chato e também não sou do tipo de "encher lingüiça" para segurar audiência. Para mim, as coisas não funcionam assim. Não tenho nada para vender. Nem pasta de dentes e nem roupas que me pagam para vestir, mas posso mostrar um bom conteúdo. Que fale com a realidade.


O projeto Moda Real com a Elle Brasil é um dos meus maiores sucessos pessoais. Eu sempre quis achar um parceiro grande, de porte nacional, para me dar esse apoio. Para que eu pudesse mostrar realmente as mulheres que cruzo no meu dia a dia e me pergunto: como elas podem se vestir tão bem? Como podem ser tão despojadas e elegantes ou como podem ser tão performáticas, sem ser cafonas? 

E é isso que eu tenho conseguido vivenciar nas minhas caças pelas ruas da cidade. Fora Fashion Week, fora qualquer evento, fora qualquer lugar específico que eu saiba que tenha gente desse ou daquele jeito. Eu saio com o o Eduardo Sguerra,  meu querido produtor, estilista e, antes de tudo, um amigo e ser humano raro, para caçar pessoas que possamos fotografar e entrevistar. Ele é quem as aborda. Eu tenho a timidez para me impedir. 
Tento vencê-la, mas sou melhor com as lentes, com as palavras, com o teclado, com o véu que o mundo digital colocou entre mim e as pessoas reais. Não que eu não ame a realidade, mas eu sou melhor na internet que ao vivo ( creio). Então ele começa e depois eu assumo: fotografo e mandamos as perguntas. No final o resultado são entrevistas completamente orgânicas, com mulheres de verdade. Todas com algo muito especial para contar: um segredo de beleza, a inspiração de ser parisiense ou de viver em Paris. 

Entrem aqui ( LINK) para ver a Leila Sebban, a entrevistada dessa semana. A série sai toda segunda feira e já vamos para a segunda etapa do projeto, que tem estreia na segunda que vem.

Algumas fotos de mulheres reais que estão lá no site da ELLE:

Leila






Louise



Lynsey 






Fica de olho no meu insta @anagarmendia e no meu snapchat @anagarmendia68 e no meu face:
Ana Clara Garmendia e me acompanha?

Volto quando der.

Bisous

A+




Street-style Paris... Louis Imfeld...


Street style da vida real. Comecei um projeto com a Elle Brasil para mostrar as mil facetas da parisiense. Mulheres nas ruas de verdade, fora Fashion Week... Nessas idas e vindas cruzam uns boys como o  Louis Imfeld. Ele é o namorado da Elena Castello que é a primeira da série publicada lá no site da ELLE. Passa lá para ver. 

Quanto ao Louis 100% parisiense.  AMO. 
Ah! O cachorrinho se chama Winnicott
BISOUS

Street Style. Elle Brasil, Chaman- Eau de Couvent... Maria Grazia Chiuri, Pierre Cardin...

E o circo continua lindo e vivo por aqui. Passei a semana envolvida com os desfiles, festas e o snap da Elle Brasil, além de algumas entradas e transmissões ao vivo para o facebook da revista e também para o meu. É intenso tudo que acontece nessa retomada do blog e da minha carreira e também intenso o que acontece em torno da moda. 

MONSIEUR PIERRE, 94 






 Temos um apelo orgânico à moda como a apresentação do Pierre Cardin ontem em uma viagem fantástica que fizemos ao Sul da França ( tá lá hoje no snap da Elle Brasil e no insta +Elle Brasil. Matéria aqui ). Um clima de interior, um clima simples, mas uma riqueza de detalhes e tantas informações nas entrelinhas que é de emocionar. 

A moda dá um restart depois de um momento desgastante de egos e explosões de looks du jour com todas aquelas vendedoras on-line disfarçadas de influências digitais.  Acho que agora as coisas estão mais claras. Todo mundo já sabe que é propaganda, que é tudo pago e que não há nada de errado nisso desde que seja do conhecimento do leitor. 


Essa matéria já está velha e vamos em frente por que tem Maria Grazia Chiuri na Dior, sendo a primeira vez na história da marca que uma mulher assume o comando da casa. E também tem a Vêtements para nos salvar da cafonice dos brilhos que eu amo, mas canso e também não faz parte do meu mundo, mas faz parte do mundo de algumas pessoas e do sonho delas também. Estou aqui para isso, para contar e não apenas para dizer o que eu gosto. 


Bem...




O link para o meu balanço para  a Elle Brasil está aqui: 



Sobre aromas... Uma paixão...


Tenho adoração por perfumes e cosméticos. Dedico grande parte do meu orçamento a isso. Perfumes, óleos, cremes, shampoos... Todo esse mundo de alquimia e beleza me fascinam. Como se eu ainda fosse criança. Como se eu acreditasse que, se eu usar esse ou aquele perfume ou um determinado creme, minha vida ou minha aparência, magicamente poderão me transformar em alguém mais belo, melhor ou simplesmente diferente do que sou. A palavra Chaman do perfume da Eau de Couvent  tem esse apelo. O Chaman é um feiticeiro. Alguém que cura através de drogas, plantas. Ele tem o poder da transformação. Amei a conexão. Não é nova, muito pelo contrário. É milenar, mas isso me fascina ainda mais. E o cheiro é realmente bom. Foi presente. Não comprei, mas amei. Amei também o óleo corporal que eles chamam de Précieuse de Couvent. Tem óleo de Argan na fórmula e eu aprendi com a Malika, uma das massagistas que me atendeu na semana de détox que fiz em Genebra no La Resérve que ele é maravilhoso para peles secas como a minha. E não é que é verdade? Eu agora uso óleo de Argan todos os dias e consegui hidratar minha pele do corpo que é muito seca, desde sempre. Tenho as extremidades frias, típicas de pessoas ansiosas, o que faz minha pela molhar e ressecar. Minha irmã sempre me chamou de rã por isso. Bem, a rã aqui está contente e cheirosa e quer desejar bom domingo para todos. Me sigam aqui e lá e onde me acharem.

Um beijo

Uma paz 

Um amor

Um a + de sempre


@anagarmendia


Moda Paris faz 10 anos... Street style... Karlie Kloss, Peter Marino, Ulyana Sergeenko, Daphne Guiness, Kate Holmes, Karlie Kloss , Elena Perminova...


Faz dias que me ensaio para escrever essas linhas. O Moda Paris começou há exatamente 10 anos. Foi em 2006 quando vim para Paris pela primeira vez para ficar uma longa temporada que ele nasceu. Naquela época eu já tinha um site, mas na transição de países o sistema de lá não funcionava no daqui e eu acabei entrando para o blogspot. Eu queria muito mostrar a moda das ruas. Ver as pessoas e suas escolhas de looks em viagens foi algo que sempre me fascinou. Uma das minhas primeiras matérias de jornalismo de moda foi exatamente com fotos feitas nas ruas de NY ( já contei aqui, acho). Aqui comecei o trabalho da formiguinha. No Brasil, eu já tinha uma carreira de colunista e jornalista consolidada no Paraná. Aqui eu era alguém de um estado e cidade que ninguém nunca tinha ouvido falar no meio da moda. Foi um desafio me credenciar para os desfiles. Para a moda francesa Curitiba não representava nada e como explicar que eu queria ver as apresentações e que lá tem sim gente que vem para cá e consome moda? Bem, ela continua não representando, mas eu fui trilhando o meu caminho aqui no blog com minhas postagens e logo apareceram frilas para fotos de sites importantes como Style.com e Vogue. It. Sem querer, minhas fotos acabaram sendo vistas pelo mercado e tendo uma saída inesperada. Eu não era fotógrafa. Eu apenas queria fazer fotos de pessoas nas ruas para mostrar o que elas usavam e assim comecei. Fotografava no dia a dia e postava. Paralelo a isso, falava sobre desfiles, revistas, looks de famosos, notícias do mundo da moda. Com o tempo, acabei sendo totalmente absorvida pela fotografia. Virou uma paixão. Uma obsessão fazer fotos cada vez mais tecnicamente belas. Eu sempre fui um foto-jornalista e continuo sendo. Sempre achei que, para ilustrar meus textos, o melhor eram minhas fotos. E assim continuei durante um tempo com alguns sites, jornais, com a Vogue Brasil e em alguns projetos sozinha. Depois fiz tanta coisa como o Telegraph.com. E ainda fiz um livro. O Retrato de Uma Cidade do Século 21. Uma conquista. Mais de 200 páginas com fotos e textos. Um pouco da minha vida despejei ali, mas ainda escreverei mais. Com o tempo tudo isso, toda essa roda viva de mais de 60 PFW e acho que quase mil desfiles, se contar entre Brasil e aqui, acabou gastando um pouco. O papel de fotógrafa me tirou o papel de jornalista e eu não gostei de ser maltratada em desfiles.  Cheguei a passar pelo momento onde, durante um desfile de uma marca famosa, eu não tinha mais o direito de sentar por ter uma máquina na mão. Foram algumas decepções que me fizeram dar um tempo. A fotografia está ao alcance de todos, mas a sua alma, não.  Eu precisava valorizar a minha linha de pensamento. Poxa, são mais de 20 anos de jornalismo. Uma vida cheia de sonhos como vir para Paris e ver um desfile. Realizei tudo isso, mas preciso de vida real, de moda de verdade, de sorrisos ( e são tantos) e de beleza. Continuo hoje com minhas fotos. Retomei o trabalho como jornalista com colaborações com o Terapia do Luxo, O Bem Paraná, a Revista Têxtil e migrei para a Elle Brasil. Todas essas mídias muito me orgulham. Mudei o foco para um jogo duplo mesmo. 
Quero falar, fotografar, relatar e, principalmente, compartilhar o meu conhecimento com quem se interessa pelo que posto. Por isso, meus amores, aqui um apanhado de imagens que marcaram esses anos e que eu escolhi para ilustrar esse post de comemoração, esse post de dedicação, esse post que faz meu coração estar apertado, que me fez perder noites de sono com essa página até então em branco diante dos meus olhos, mas que hoje eu encerro para recomeçar ou para continuar. 

Escolhi algumas imagens que marcaram esse período: 


















Espero que gostem. Semana que vem tem mais nas redes sociais da Elle Brasil e também nas minhas. Adicionem meu  snapchat anagarmendia68. Isso mesmo, nasci em 68 e hoje tenho 48 anos de idade muito bem vividos e cheios de histórias para compartilhar. Voilà. Viva todos nós que acreditamos no real com frufru. É assim que sou: bem real, mas meio fresca para algumas coisas. Uma mulher cheia de manias, vaidades, mas repleta de amor para dar e nunca vender. 


Som?

Vai aí também....
















Bisous

A+


Bill Cunningham... RIP




Esse olhar simples e atencioso de Bill Cunningham, morto ontem aos 87 anos, vai deixar um tremendo vazio no mundo da moda. Bill era o "pai de todos" fotógrafos de street-style do mundo. Um homem de hábitos simples que, nas muitas vezes que trabalhei ao lado dele, jamais trocou uma palavra comigo. Pouco importava. Eu estava ao lado de alguém que me inspirou a tirar a ideia de fotografar gente da rua de um simples projeto pessoal para um âmbito profissional. Nos idos de 1999, numa de muitas idas a Nova York, fiz minhas primeiras fotos de rua. Eu tinha uma máquina Canon com filmes e voltei entusiasmada com o resultado de uma passeada em Greenwich Village. Ainda as guardo com carinho. Foi uma revelação. As fotos de rua real eram e são uma bola mágica para a gente entender a moda das passarelas, para pressagiar as tendências. Eu não conhecia ainda o trabalho de Bill mas, uma amiga que havia morado nos Estados Unidos, a Juliana Mercadante, me mostrou as maravilhosas páginas que Bill fazia no NYT. Foi nesse momento que eu percebi que minhas ideias e minha paixão pela moda de rua não eram novidade nenhuma. Existia Bill e fazia tempos. Aquelas páginas no NYT, publicadas por um septuagenário americano ( isso faz 17 anos) me ajudaram a seguir em frente com o ir para as ruas aqui em Paris e mostrar a maneira como as pessoas se vestiram, apesar da falta de apoio de meus amigos fotógrafos profissionais que consideravam "fotos de merda". Eu não liguei. Eu sabia que existia uma utilidade e que os leitores iriam gostar.  Fotografar gente na rua é como espiar a janela do vizinho. Um portal para o futuro. Eu sentia isso. Eu queria fazer e fiz.



A partir de 2006 eu comecei a andar pelas ruas de Paris com minha máquina e também foi o ano em que fiz minhas primeiras portas de desfiles com o olhar atento aos convidados até mais do que aos desfiles. E a partir daí comecei a cruzar frequentemente com Bill. Como eu contei lá no começo do post, ele nunca falou comigo. Ele não era de muitas palavras. O seu negócio era observar, fotografar algo que lhe interessasse com sua máquina ainda com um rolo de filmes. Bill nunca a deixou. Sua fotografia foi ultrapassada em qualidade pelas centenas de fotógrafos que chegaram após, mas seu olhar e seu comportamento nunca foram batidos. Ele não era um prepotente, não virava a cara para ninguém e nem vestia roupas de marcas que o patrocinavam. Ele nem precisava disso. Era um personagem imbatível que não precisava de mais propaganda. Seu trabalho e seu comportamento eram o encanto do mundo da moda ao qual ele se reportava. Ele vestia sempre a mesma roupa, a mesma jaqueta ( teria quantas do mesmo modelo?) azul e a calca cáqui. Ele não andava acompanhado. Chegava só. Saia só. Seu lance era entra a imagem, a descoberta da próxima moda e pronto. Nunca vi Bill em meio a patotas de fotógrafos americanos que se tornaram famosos depois dele, repetindo. Vi sempre esse sorriso terno, essa expressão de quem viveu a vida fazendo o que mais amava. Um homem que exercia sua profissão sem segundas ou terceiras intenções. O foco eram as ruas, as modas, as cores, as pessoas e de onde elas saiam tampouco importava para ele. Ele disparava sua máquina por quem tivesse algo a mostrar. Algo a ser desvendado. Bravo Bill Cunningham. Você vai fazer falta nesse circo de vaidades que se tornou a fotografia de street-style. Você abriu uma grande brecha com um trabalho lindo, mas raros ( ou inexistentes) os que tem a mesma paixão, devoção e humildade. Descanse em paz. 


PS: Na foto do abre, Bill ao lado de Carine Roitfeld em um desfile da Dior. 




Liberdade para ser vestir-se como uma sexy girl...Street style real... Pelas ruas de Milão...


Tô nessa de retomada de tudo e acho que a moda anda comigo. Olhando ainda as fotos que não publiquei nos últimos tempos e, em meio a discussões pesadas no Face e na realidade sobre a condição feminina, encontro essa foto que eu fiz em Milão 2014. Street style real. Um anúncio do que veríamos nas passarelas da Louis Vuitton em 2016? Ou apenas uma moda que permanece e as marcas sacaram que é bom investir nesse estilo por que vende?  A verdade é que as ruas reais são uma grande inspiração para todo mundo que cria e quer conectar com o que acontece e com os consumidores que estão na órbita. Por isso, Yves Saint Laurent fazia viagens por países que estavam na moda enquanto era criador de sua própria marca e sempre voltava com coleções que traduziam o ar daqueles tempos. Agora a vibe é a mesma. Ir em busca do que o povo quer consumir, do que as mulheres querem comunicar e do que queremos usar. Parecem ser a mesma coisa, mas não são. Tem gente que consome para gastar. Outros para provar que estão em uma determinada escala da sociedade e outros apenas porque curtem se vestir e se sentir bem dentro do que usam. Dentre esses personagens que fazem a grande gama de consumidores de hoje e confundem a cabeça de muitos estilistas ( por isso existem resultados tão desastrosos, além da falta de gosto de quem realmente tem grana para comprar. Outra discussão) estão as garotas sexys ou sensuais como a da foto. Quem nunca viu um personagem desses em um filme, um desenho japonês ou 
uma mulher que não tem origem oriental mas se veste assim? Quem nunca deu passagem a essa mulher com jeito de fatal e toque de menina? Pois é. Eu gosto e muito desse tipo de código e sabe por quê? É uma provocação à liberdade de expressão através da roupa. As mechas vermelhas, as meias sensuais, mas divertidas, a bolsa dando o toque nada a ver com o look que faz ela não ser tão certinha e por isso mais a ver ainda com a real mulher que somos. Enfim. Taí um look que dá de 10 no da mulher de botas longas e minissaias. Taí uma opção excelente para brincar com seus poderes de sedução, sem ser igual às outras mulheres picadas pela mosca da modinha que todas querem fazer igual. Fica a minha dica. Eu já comprei as minhas meias sensuais que não são iguais as da foto, mas que vão me tornar, a minha maneira, uma sexy woman. A hora é agora. Vestir-se para a sedução de si mesma. Sentir-se linda, poderosa e pouco importa o olhar que os outros vão lhe enviar. Liberdade ma belle... Somos todas livres para isso. E vamos fazer valer essa nossa força. 
Bisous
A+

O olhar para o futuro é vintage...Demna Gvasalia, Sinead O'Connor, Prince, Gypsy Kings, Rochas...

Labyrinth
Essas fotos não são novas aqui. Nessa reorganizada que estou dando em toda a minha carreira, recebo mensagens de leitores, viajo no tempo, em textos que ficaram aqui adormecidos, mas que refletiram grandes momentos meus e dessa página. Tudo isso me faz ter mais vontade ainda de arrumar a casa para recebê-los. Perdi as senhas do Flick. Não consigo ter acesso às minhas próprias imagens, mas vou conseguir resolver esse problema. Tudo no tempo certo. Assim como essa vontade de louca de pegar com a mão tudo que deixei passar nesse período. Me pergunto hoje como consegui abandonar um projeto que salvou minha vida. Quando em 2006 comecei o Ana Clara ou Moda Paris, era uma recomeço também. Acuada por problemas pessoais vim parar aqui em Paris. Assim fui construindo os posts, fazendo as fotos de rua, indo aos desfiles e descobri que as portas eram maravilhosas. Eram fontes de inspiração tanto quanto as passarelas e depois até mais. Fora isso eu sempre amei ver as pessoas nas ruas. Gente rica, pobre, branca, preta, vermelha, homens, mulheres, crianças, idosos. Eu sou uma jornalista poxa, uma curiosa, uma fofoqueira profissional! Gosto de ver e reportar e de me basear no que vejo para tirar minhas conclusões. Foi assim que fui aprendendo a falar francês, sem vergonha nenhuma de cometer minhas gafes e de ser corrigida ( com delicadeza) por quem sabe mais que eu. Detesto a pretensão dos que acham que sabem tudo. Detesto quem se julga mais por saber o que o outro não teve a oportunidade de aprender, não importa o motivo. Detesto julgamentos precipitados, mesmo que eu mesma já os tenha cometido em algum momento do meu passado.
Estou aqui desabafando entre essas imagens que fiz faz um tempinho, mas que falam muito sobre a moda de hoje. O vintage que a Gucci imprime com a força de um criador que sacou que o passado tem muito a nos dar.  Alessandro Michele simplesmente tirou a marca do limbo em 3,2, 1... Nas mãos de Alessandra Fachinetti estava chato. Ela não conseguia recomeçar o sucesso que Tom Ford imprimiu por lá, foi então que entrou Alessandro. No começo, julguei, achei que não ia rolar, mas foi uma tacada de mestre. A volta do desejo de uma marca que foi super desejada na década de 70. A volta a essa época. Why not? Super rolou. Já viram?


Campanha de 2015...


Mas as peças desse ano são ainda mais geniais. Obras de arte. Vintage tratado com luxo. Apaixonada também por essa linha bem fantasia. Pode ser divertido. Pode trazer aquele sopro novo para nossa moda. Já trouxe e esse sopro novo vem cheio de história! 





Fiquem com mais uma imagem vintage minha do street Paris:


AMO





minimalwhere


Todas elas estavam perdidas no tempo. Não são de agora, mas poderiam ter sido lançadas ontem. A moda transforma o ontem em hoje e sempre nos faz reviver bons momentos. É isso que a turma que comanda a Vetêments ou a Courrèges, duas marcas que são os chouchous da moda parisiense. Uma por trazer o coletivo para frente ao invés de uma pessoa só. O fim do ego único, embora o chefe do bando Demna Gvasalia seja agora também uma estrela, pois assumiu a Balenciaga, mas mesmo assim vão fazer todos juntos a Couture inverno 2016 com a Vetêments, ou seja, vem mais revolução por aí. 
Essa jovem turma ( a grande parte deles têm menos de 30 anos) quer fazer tudo de uma maneira mais orgânica, de uma forma que seja usável, desejável, ligado com o urbano...E tá rolando. Eles já tem peças no Museu das Artes Decorativas. São grandes e respeitados como uma nova maneira de encarar a vestimenta nessa década. Nesse século. 

E hoje, nas minhas andanças ( tem isso no meu snap anagarmendia68), ao voltar para casa, me surpreendo com uma cena: um parque lotado de jovens dançando o som de Gypsy Kings. Como assim? Isso mesmo. A volta ao que é muito bom e a revalorização de músicas, roupas, estilos, comportamento, nunca esteve tão no coletivo popular. 

Fica o som para inspirar esse momento cigano. Para constar: esse grupo fez um sucesso doido na década de 80. Os jovens de hoje estarem dançando eles pelos parques de Paris é curioso.



As meninas nas ruas voltaram a raspar a cabeça como nos anos 80. Sinead O'Connor feeelings e por aí vai:


E se ela cantou uma música de Prince que acaba de partir e que a compôs assim como Purple Rain... A cor púrpura também é moda no pré-fall da Rochas...

Mules bordadas com meias e casacos desestruturados... Conecta com o passado e dá o ar do futuro..

É isso. Atravessamos o tempo. Nos reinstalamos para viver e defender um estilo de vida ligado à arte, à liberdade e ao artesanal de luxo.
Expero ter me expressado bem.
Bon Week end!
Bisous
Ana 



Regras para não seguir ou sim... Modismos de Paris 2016! Casablanca, Humprey Bogart, Cuissardes...





Eu tenho receio de falar sobre botas de canos altos, as cuissardes*, as botas de chacrete, pois elas habitam no imaginário de muitas mulheres e, aqui em Paris, eu as descobri logo que cheguei em um desfile da Chanel. Lagerfeld, ao lado da maison Massaro, que é quem cuida de toda a produção dos sapatos de alta-costura da Chanel, mas não apenas dela, pois é um dos ateliês que pertence ao grupo e por isso atende a outras marcas e também a clientes especiais que ainda mandam fazer sapatos sob medida, fez uma coleção com botas em jeans que eu na hora não percebi que não eram calças e sim botas. Isso foi há muitos anos e se você der uma pesquisada aqui no blog, acredito que em 2007, vai achar esse desfile maravilhoso. Depois, pouco a pouco, fui vendo algumas mulheres usando. Emanuelle Alt, Barbara Martello, Elena Perminova... Sempre achei interessante, mas um pouco duvidoso, mas bem, nelas e suas longas e finas pernas tudo fica melhor: não tão vulgar.  Emannuelle  acaba de confessar em uma entrevista que nenhuma mulher pode seduzir com minissaia e botas de cano alto. Entendi bem o propósito do que ela acredita que seja seduzir. Induzir a atração e os olhares de todos não é a mesma coisa que seduzir. Seduzir vai muito além do olhar. Você precisa ligar todos os sentidos de sua presa ou de suas presas, se quiser atingir seu objetivo. Artistas que precisam chamar a atenção para seus atributos físicos e esconder a falta talento ou apenas causar mesmo para ter holofote e mídia certa andam nuas, com botas, sem sutiãs, mostram tudo. Casos clássicos? Kim Kardashian ( além de famosa, qual seu talento?). Rihanna é talentosa mas começou pelada ( eu vi aqui em Paris várias vezes vestindo nada). Agora, depois de ganhar respeito mundial não precisa agora de mais nada, veste-se e muito bem, com exceção para aquele vestido amarelo de um dos galas que foi ano passado. Posso ir embora nessa lista de motivos para você não usar uma bota de canos altos como ponto de partida nem para estar elegante e nem para seduzir, mas vou apenas me ater a um fato: bom senso. Elas servem para que? São confortáveis? É bonito, ao sentar, ver os pedaços das pernas que vazam entre o couro e o espaço ou a falta dele, se elas forem muito apertadas? Ok. Você ama. Ok. Use, mais saiba: você está vivendo um personagem dentro delas. Você está chamando a atenção pelo excesso, pela ousadia e pode ser pela beleza, mas você precisa disso? Tá bom. Eu não tenho nada que ver com isso. Seja uma reprise de Uma Linda Mulher ou a Mulher Maravilha ou uma versão 2000 de Madonna nos palcos de uma de suas turnês, onde ela vestia um par de cuissardes assinada por Riccardo Tisci da Givenchy. Para quem quer outras opções de sapatos na moda aqui vai...



Os modelos de salto baixo, como o mocassim acima, são os mais bacanas, mas você pode entrar na onda das mules. Temos muitas e lindas e de todos os preços. Serão a febre do verão, se tivermos verão porque até agora nada de calor por aqui e se tivermos grana, pois as boas custam mais de 600 euros, como o modelo da Hugo Boss criado por Jason Wu para a Hugo Boss que tem saltos de madeira banhados em acrílico num incrível e inimitável Made in Italy...


Espia:





Bem, volto logo...Enquanto isso tem Snapchat ao vivo todos os dias aqui de Paris. Me segue anagarmendia68




E quer saber qual a peça da temporada aqui?





O clássico trench-coat bege. Vem de longe essa paixão e agora não sei se é pela crise ou pela chuva ele está por todos os cantos em todas as versões e em pessoas de todas as idades. Aqui num clique meu em março dessa ano quando Miroslava Duma chegava ao desfile da Stella McCartney... Sim. Ela não anda apenas com Vêtements a marca da moda de Paris. Ela usa outras, apesar de ter mudado um pouco a mão de seu estilo nos últimos tempos, mas sempre tem um momento para o chique. Compre um trench, herde, garimpe num brechó. Eles são eternos, assim como o amor por Paris. Olha a peça que Humprey Bogart usava na última cena de Casablanca! 




Aqui o dia de ontem do Snapchat que eu coloquei na íntegra no meu canal no Youtube. Passa lá e assina e vê também os vídeos antigos. Vale a pena. Tem umas pérolas lá:




Bisous
A+
Fica comigo


Garotas da hora. O novo comportamento das estrelas...Kristen, Lily, Julia...




Com essa foto incrível feita pelo meu brother Antônio Barros ( aliás, todas fotos desse post são dele), abro o assunto para linkar com duas colunas que publiquei sobre Cannes essa semana. Uma foi no Terapia do Luxo e outra no Bem Paraná. Mas vou dar uma palhinha aqui para vocês continuarem lendo lá. Tá rolando a revanche. As it-girls, aquelas que só sabem ser cabides de roupas e vender vender vender, começam a perder terreno para as atrizes. Esse fenômeno já aconteceu no começo do século 20, quando estilistas como Paul Poiret, por exemplo, preferiam vestir vedetes do teatro da época a investir em modelos. Eram elas quem faziam um costureiro ficar conhecido quando faziam aparições públicas.  Mais tarde, começaram a fazer campanhas publicitárias e mais sucesso com Marylin Monroe, por exemplo, eternizando o Chanel n 5 na famosa frase que dormia apenas com elas. Passadas algumas décadas, surgiram as super modelos como Veruschka, Twiggy e daí para frente a gente já conhece a história até chegarmos às it-girls. Garotas ricas que usaram seus poderes aquisitivos para se lançarem no mercado de venda de beleza. Não apenas garotas, garotos também. Foi uma febre. A gente sabe, só que agora elas começam a ser neutralizadas por uma turma forte: as novas estrelas do cinema e também algumas veteranas. Marcas como Chanel, Lâncome, Versace, entre outras que não me lembro agora, investem numa modelo que tenha algo agregado: no caso aqui um grande talento ou potencial para tal. Julia Roberts, Kristen Stewart tomam conta do pedaço ao lado de Uma Thurman, Tilda Swinton, Kate Winslet, até chegar na ninfeta Lily-Rose Depp, filha de Vanessa e Johnny. Fórmula infalível para vender para mulheres que querem o ideal= sucesso por si mesmas, inteligência, talento e por fim, obviamente, beleza. 

Bem... Eu disserto sobre isso nas duas colunas sobre Cannes. Link para o Terapia do Luxo 


E vou colocar na íntegra o texto que está no BEM PARANÁ:




E o frufru tem Cannes para mostrar que os looks dos tapetes vermelhos não estão tão datados e caricatos. Existe algo fresco no ar. Existe juventude e uma atitude mais realista dentro de uma irrealidade total que pode ser a do showbusiness*. Uma das responsáveis por esse frescor é Kristen Stewart, atriz conhecida pela saga Crepúsculo e uma das maiores revelações do cinema mundial, muito pelo seu talento nas telas, mas também pelo que representa fora delas. Cool, punk, chique, bissexual, garota-propaganda da Chanel e um dos salários mais bem pagos de seu meio, Kristen é uma garota de menos de 30 anos que parece não estar nem aí em suas aparições públicas. Ela não faz caras e bocas e anda descabelada (o tal messy hair que os fashionistas brasileiros começaram a utilizar para falar de cabelos bagunçados). Mas não é só Kristen que imprime uma nova elegância despojada dentre as atuais queridinhas do cinema patrocinadas por marcas como Dior, Chanel, Gucci, Givenchy, Versace, entre outras. Temos mais. Temos a ninfeta Lily-Rose Depp. A única filha mulher, fruto do amor da francesa Vanessa Paradis e do astro Johny Depp, é a garota da vez. Aos 16 anos e perfeitamente pronta para aparições em tapetes vermelhos, Lily-Rose estrela filmes, campanhas publicitárias, ganha emancipação dos pais e consegue imprimir uma expressão natural, nada deslumbrada, apesar dos milhões de euros que giram em torno dela. Um pouco mais veterana, mas radiante num começo de gravidez, está Blake Lively. Tirem tudo dela e ela continuará maravilhosa, sorrindo ou não, com os cabelos um pouco desfeitos, talvez desproposital, talvez não. Bem. É isso. Elas são moda. Bons exemplos de beleza, sucesso e elegância. Para recortar e colar na parede. Saem as caricaturas, entram os sorrisos sinceros. A inteligência emocional dessas jovens as faz mais do que corpos e rostos. Elas são a nova forma de expressão que ajuda a tornar menos patéticos eventos feitos para vampirizar o mundo em torno de uma massacradora indústria do cinema que insiste em vender perfeição.

Fotos gentilmente cedidas por Antonio Barros, amigo e fotógrafo que está lá em Cannes e abriu seus arquivos para mim. 



Para ler na página com as legendas das fotos entre aqui:


Espero que gostem! Logo logo tem mais!

Bisous

A+



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