Por que as mulheres mais maduras viraram moda?


As campanhas com modelos de idade avançada são o assunto desse começo de ano. O que é uma grande jogada de todas as marcas sincronizarem nessa ideia. Mulheres maduras não tem medo de errar. Já aprenderam. Estilo é uma escolha. Chocar pode ser muito divertido. A uma certa altura da vida, ser normal pode representar ficar no esconderijo que a idade forçosamente vai nos colocar ( eu, você, as musas, as outras, as não musas, enfim, todas). Ninguém presta atenção aos mais velhos. Ouço muito isso de pessoas que já tem mais idade. E tenho que concordar. Só que o que o povo não sabe ( não saber não é a palavra. Melhor dizer: não processa por que não pensa e pensar custa tanto, não?) é que esses mais maduros já foram jovens e, muitos deles, têm histórias incríveis para contar e ideias fantásticas de como se vestir bem. Viveram décadas a mais que nós. Rodaram as saias nos anos 50, vestiram as batas transparentes indianas nos anos 70, extrapolaram com as minissaias e botas nos 60 e brilharam nas pistas de danças dos anos 80 com muitas ombreiras, plumas e paetês! Quer mais? Essas mulheres têm dinheiro para comprar várias bolsas e ainda tem um estoque incrível no acervo delas herdados das avós, das tataravós, das sogras, primas e até amigas que já partiram. Quer mais ainda? Elas somos nós amanhã. E tomara que tenhamos a classe e a sensatez para nos permitirmos o ir além, porque o fim é certo para todos e que ele venha lentamente e com muita alegria e moda para inventar e contar. 
Gros bisous
A+



Clogs, por que eles vão voltar e vamos usar....Lily Allen, Chanel 2010...


Lembro do primeiro clog que tive na vida. Ele não era exatamente como os que vejo nas ruas de Paris, mas tinha o mesmo princípio: salto de madeira, formato de tamancos e parte da frente de couro. Isso era na década de 80 e usávamos muito no verão com vestidos soltinhos. Eu adorava a sensação de calçá-los para  ir a festinhas, lanches, reuniões com as amigas. Hoje, ao ver a moda trazendo de volta um acessório controverso ( muita gente detesta) tenho uma grande e declarada simpatia por ele. Apesar de não ser saudosista, não tenho como não olhar para trás para entender seus processos. Sem história, não existiriam os modismos. Acredito que hoje seja mais complicado o clog pegar valendo pelas ruas. Impossível vivermos, sem carros, com eles nos pés. Não importa. Deixo de lado meu discurso de moda funcional e confesso: são lindos de ver numa cena casual como essa. Fica aqui o meu amor por eles. E a minha dica de que estão de volta. A última vez que fizeram sucesso? Na coleção da Chanel que tinha o celeiro e a Lily Allen cantou ao vivo, quem lembra?  Foi em 2010 e os clogs acabaram não pegando muito não. Não são práticos, mas são lindos. 

Fica aqui o vídeo para gente lembrar. Foi um momento lindo da grife. Um desfile inesquecível:





Bisous
A+

Por que eu acredito no vintage...


Durante esse inverno parisiense cheguei a passar dias repetindo o mesmo look por falta de opções no vestir. Andei de loja em loja para comprar algo que gostasse, mas na verdade, não achei nada que me enchesse os olhos. Minha vida tem sido de idas e vindas nos últimos nove anos, mas depois de 2014, resolvi ficar definitivamente na Europa, o que me fez não ter muita noção na hora que arrumei as malas para vir para Paris, em setembro do ano passado. O resultado foi um closet escasso de roupas de frio e uma imensa vontade de resgatar peças que tenho, mas que fica complicado trazer pelo correio. Motivos óbvios. Enviar roupas é uma incerta. Podem chegar ou não. Aliás, eu não entendo qual o motivo de ser tão complicado, mas é. Custa uma fortuna e já aconteceu de eu ter roupas e outros objetos extraviados. Então tive que entrar no "mode avion". Economizei misturas, esqueci os saltos, os casacos com estampas e eliminei as cores. Tenho me vestido basicamente de cinza, jeans e preto, mas confesso que sinto falta de um toque diferente. Não precisa ser nada espalhafatoso, nada muito colorido, mas algo que me faça sentir um pouco menos sem graça. E é aí que entra a vontade de vintage. Quando lembro de peças, roupas ou acessórios que funcionaram uma época, tenho vontade de resgatá-los no tempo e voltar a usar. Exemplos? Um casaco verde militar com capuz que vejo em cada canto de Paris (esqueci em Curitiba) e que, em Berlim ( onde passei alguns dias em janeiro), é uma peça conhecida como 'berlinense'. Lá eles usam tanto que existem os modelos de verão, sem as peles e revestimentos pesados e os cheios de revestimentos para proteger no frio que não é pouco.  Segundo: os casacos de pele. Volto a defendê-los. Os de época, que já existem, que você herdou, que não vão deteriorar o planeta com os terríveis tratamentos químicos que as roupas em geral sofrem hoje. Uma amiga trouxe o meu, herdado da minha tia, para Paris. Hoje, com temperaturas negativas, vou sair com ele. Misturado com tênis e jeans e ainda uma toca simples de lã, crio um novo estilo vintage, sem gastar e sem perder a graça que sinto tanta falta. O bom do vintage é poder ir bem além do que um casaco. Podemos nos inspirar em penteados, comprar óculos como o da foto ou os lindos brincos... Tudo ganha uma vida nova com um toque do passado num presente tão massacrado por fórmulas e com preços abusivos. É isso. Qual o seu tema preferido para vestir? Tem alguma fantasia? Amanhã vou abordar esse tema na minha coluna do Donna. Passa por aqui que darei o link de lá.
Vou para rua viver...

Som???

Vou descobrindo dia a dia coisas novas e outras nem tanto. O espírito de me lançar em frente é que me move. O lema é: a cada dia ter algo novo, seja uma ideia de som, livro, roupa, viagem e muitas ideias de como levar a vida numa boa. É a minha vibe:








Bisous
A+


Em defesa de Uma Thurman...


Fiz esse portrait snap-shot da Uma Thurman ano passado aqui em Paris, ou mesmo, ano retrasado. Ela chegava ao desfile da Versace Couture. Era fim do dia. Luz natural. Eu fazia a cobertura para a Vogue Brasil. Eram minhas fotos habituais. Percebi a presença das vivências e do tempo nas feições de Uma, mas isso não me deixou apavorada. Pensei em como ela continuava bela, mesmo com algumas marcas naturais que todos temos com a passagem dos anos. Disfarçar, muitas vezes, é ressaltar o tempo. Isso eu já percebi e faz tempo. Ontem, Uma foi assunto nas mídias. Foi julgada fortemente ao aparecer transformada em um evento, em Nova York. A imprensa e os críticos de tudo levaram a mudança visual, provocada por uma cirurgia de pálpebras e a aplicação de Botox ( sem esquecer que o Botox dura de 3 a 6 meses. Não é um procedimento irreversível) como algo terrível. Terrível, por quê? Certo que ela sempre foi e continuava linda, mas ela tem o direito de fazer o que quiser com seu rosto, seu corpo, sua vida. A liberdade é um exercício pleno. Uma não ofende ninguém e nem maltrata a humanidade ao corrigir erros que, para ela, podem ser insuportáveis. Quem sabe, as bolsas dos olhos a tiraram a vontade de se olhar no espelho? Quem sabe a retiraram de um papel ao qual sempre sonhou por estar um pouco além da idade? Ninguém sabe o que nós mulheres sofremos por sermos mulheres. Não falo nem de idade, pois esse é um assunto mais forte nos Estados Unidos e na América Latina, onde apenas os jovens são tratados como sexys, belos e em condições de viver a vida plenamente.  Falo em sermos, desde sempre, relegadas a função objeto. Quando se elogia alguém fala-se da beleza física, nunca na inteligência. Privilegia-se a aparência ao conhecimento. Desfaz-se de pessoas que já tem mais idade. Por sorte, o momento resgata um pouco o respeito a beleza madura, mas não acredito que essa moda vai durar. O efêmero vende mais que a permanência e o mercado precisa sempre de algo novo, mesma que seja velho, como é o caso das inúmeras novas Brigittes, Giseles, Kates...Enfim, finalizando a Uma. Deixem-as em paz. Elas sabem o que fazem. Ganham para isso. Precisava? Não gosta? Não faça você. Você tem a liberdade a seu favor. 

Bisous
A+

A simplicidade mora ao lado...Baryshnikov and Lil Buck...

Sei que eu deveria estar falando de looks de Carnaval, mas em Paris não existe Carnaval, então eu deveria falar do que quero e intuo. A intuição do dia? Um look simples, mas não sem graça que não mostre o seu interesse por você mesma. Uma sandália prata que vai no inverno e no verão. Eu amo sandálias com meias e, se bem pensadas, essas da foto podem ficar boas com...Depende de como usa. Tudo depende do uso. Quase tudo. O bom da moda é que ela é tão delinquente que a gente faz o que quer com ela, até transformá-la em algo que não se entende. É isso. Não entende bem. Diz que é moda. Fica fácil acreditar no que você não sabe ao certo. Mas saiba: você usa= os outros também vão usar. Não tem mistério e nem matemática. A simplicidade habita ao lado mesmo. E ela está na moda.


SOM?????






A melhor campanha dos últimos tempos é essa...

Claro que ter mais idade está no alvo da moda. Quem tem dinheiro e maturidade para consumir bem merece um destaque. A realidade merece destaque. O simples merece destaque...Obrigada Luciene Vieira por postar no meu face o texto sobre o assunto com esse vídeo. Respira fundo e absorve...Vale a pena ver o grande bailarino Mikail Baryshnikov ao lado de Lil Buck...  Play e vê! 







Bisous
A+

Saias para amar e usar em 2015...




Andei meio de mal com a moda nos últimos meses. Difícil assumir, mas tudo bem, de repente aquilo que é sua grande paixão, simplesmente passa. O amor tem começo, meio e fim. Como nos filmes, nas músicas, nos livros. Tudo me pareceu tão fútil e primário na moda 2014 que realmente esgotei minhas possibilidades de amá-la. Por isso a deixei dormir para vê-la acordar em mim no momento que ela decidisse se manifestar. E o momento chegou nesse começo de ano quando fui às ruas com minha câmera ver o street-style da couture Paris. Fiz questão de não ir aos desfiles. Nem sequer pedi um convite. Era um desafio para mim voltar a me interessar. E me interessei fortemente pelas saias que vi. Senti uma necessidade incrível de voltar a elas. A usá-las. E me interessei em saber por que me desinteressei. Descobri finalmente. Falta a espontaneidade. Tudo virou um grande catálogo de marcas e isso faz a moda ficar feia, mas por sorte, tem vida nela. Tem quem resgate estilos. Tem as saias em suas mais diversas formas. Da mini à maxi. Vou por essa linha para voltar a te amar moda minha querida...


E vou te exercitar. Vou sair e te copiar. Vou achar uma saia igual a essa e fazer esse look. Para voltar às origens do meu trabalho. Vou para rua buscar inspirações reais para os looks de 2015.  




Sempre uma grande fonte de inspiração:




Bisous
A+


Onde você me lê? 
No caderno Donna da Zero Hora todas às sextas. Link aqui.

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