Paris em choque...Charlie Hebdo...


Hoje de manhã quando saí para correr achei Paris diferente. Juro. Não foi uma sensação normal de ver a bruma do inverno a minha frente. Realmente a cidade estava mais quieta do que de hábito. Como se pressentisse o que iria acontecer mais tarde. Um massacre da mídia. Um ataque direto à liberdade de expressão. Uma barbárie cometida contra profissionais de uma pequena redação situada no 11eme arrondissement. O ataque terrorista dessa manhã não foi um acaso como as brumas que chegam e vão. Foi preparado para ser hoje, com ou sem elas. Minha sensação ( de sentir a cidade diferente) foi, talvez embalada pela beleza da paisagem, mas o que vivemos não tem nada de poético ou belo. Fuzilar 12 jornalistas que trabalham para divertir os outros com a paixão das sátiras é, no mínimo, um ato de ignorância, mas não é apenas isso. O Charlie Hebdo brincava com as situações do mundo, com os conflitos religiosos, numa ânsia incontida de deixá-los mais leves. De divertir um pouco algo que é um ato de loucura. Matar em nome de uma crença religiosa é algo que deveria não existir mais na nossa sociedade contemporânea. Tem mais textos meus na revista Glamour aqui

Alguns trechos postados no meu Facebook, enquanto as notícias iam chegando: 




Paris está em alerta máximo de segurança. Não devemos sair de casa. Evitar metrôs e lugares simbólicos. Infelizmente a ignorância e a barbárie do fanatismo religioso não tem fim. Por isso, só creio nos que amam a vida e respeitam os outros. Sem Deus, sem Maomé, sem profetas. Sem igrejas, templos, terços, rezas, livros, sem nada que puna o homem pelo fato de pensar e ser livre. Não sou Cristã e não adianta me olhar torto. Tenho o direito de ser ateia.

Desde sempre querem calar a imprensa. Nos intimidar. Fica o recado: podem nos matar, mas acabar com a liberdade de imprensa, não vão conseguir. Covardes. Chantagistas. Assassinos. Morrem talentosos artistas que apenas traziam alegria, um ventilo em meio a uma imprensa tão vendida e abarrotada de intrusos, sedentos por se aproveitar dos pseudo-privilégios que nós, profissionais, aparentemente, temos. Morrem resistentes sonhadores. Ficamos nós. Os que amam uma boa pauta. Um bom desafio. O jornalismo criativo. O jornalismo independente. O verdadeiro exercício de se expressar e entregar a notícia sem nenhuma amarra, apenas com amor e humor e a verdade. Na verdade, morremos todos hoje, mas amanhã estaremos em pé. E a liberdade, custe o que custar, vai continuar a existir.  ‪#‎jesuischarlie‬‪#‎charliehebdo‬


Bisous
Bonne nuit 
Paris je t'aime.


2 comentários:

Madi Muller disse...

Nossa,fiquei chocada, e imagino como deve estar o clima aí, o Pres.Hollande decretou luto oficial hj,né?
Muito triste e preocupante,o mundo em alerta...

Anônimo disse...

Oi, obrigado por compartilhar o texto e conheci o seu trabalho através dele! Seria pedir muito vc fazer um post sobre a Marine Le Pen? Eu sei pouco sobre ela, mas vejo que é muito polemica e até aproveitou o momento para se promover, vc acha que ela é um perigo para a sociedade francesa? Grande beijo, fique em paz, Deus abençoe. Virei leitora do blog,

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