Mais um diário de Paris, Vidigal, Brasil, Eleições 2014...


Hoje o diário vai ser rápido. domingo e... dizem,  não é dia de trabalhar. Trampar. Ralar. Se esforçar. E tantos os outros verbos que envolvem esse processo. Ainda bem que é Paris. Escrevi numa legenda de uma foto do Instagram. Paris é um quadro vivo. É inspiração até quando se está suspirando ou reclamando ou almejando. Paris é o lugar onde eu me sinto mais livre no mundo para falar, escrever e arriscar muitas mudanças. Mas vamos ao que interessa. Hoje foi dia de votar.  E fui cumprir meu dever de cidadã brasileira. Voto aqui faz alguns anos. Não posso perder e nem quero me ausentar do processo de escolha dos políticos brasileiros. Com esse propósito, sempre calculo para estar aqui e não deixar de dar o meu enter lá na urna eletrônica. O dia amanheceu frio. Coloquei uma roupa da Osklen e um tênis da adidas que já anda sozinho, fiz um penteado a la Chaneletes, um emaranhado de grampos que faz uma espécie de canaleta de cabelos e que dá um certo ar cuidado para um look esportivo. Usei todos os produtos que ganhei da Dior Beauty, rímel, iluminador e o air brush, me perfumei muito e fui de bolsa nova, da Luz da Lua.  Linda de tricô de couro. Faz o maior sucesso aqui em Paris. Até a vendedora da Givenchy se derreteu essa semana quando fui lá ver os modelos da marca.  Sem desvios... Ralação no domingo. Pegar duas linhas de metrô para votar.  Chegando lá já começo a rir dos brasileiros: uma senhora na porta com o passaporte querendo votar, mas como assim? Ela não sabe que para votar em algum lugar você tem que ter o título de eleitor transferido para tal país, cidade, estado, enfim, você tem que estar registrado na cidade? Não. Ela sabe viajar, deve saber como passar um cartão de crédito para pagar a bolsa cara que portava, mas não sabe ler informações sobre cumprir deveres de cidadão brasileiro. Subi com meu passaporte, pois meu título de eleitor sumiu junto com as borrachinhas de cabelo e mais um monte de badulaques que, segundo Mario Quintana, ia parar nos Anéis de Saturno. Lá deve estar rodando meu título, mas se vota sem ele. Eu já sabia. Eu leio sobre os direitos e deveres de ser cidadão em qualquer parte do mundo, enquanto minha desorganização vai jogando coisas importantes para o espaço...

Votei no 45. Aécio. Não tive escolha. Não quero mais ver o PT no poder. Não vejo o Brasil num bom momento. Os escândalos de corrupção foram o suficiente para eu achar que chega deles. Na Marina, não votaria nunca. Para mim, a religiosidade excessiva é uma prova de ignorância e tirar o PT para colocar os religiosos fanáticos está muito longe de ser algo que quero para meu país, esse que cultiva senhoras ricas que não sabem o que acontecem dentro dele. Esse que acoberta a pobreza com bolsas família e esse mesmo que faz descaso para o fato de não termos nenhuma proteção por parte do estado. O Brasil está um caos. Ninguém respeita ninguém. Um e-mail de trabalho não tem resposta, se você não está em dívida com um prazo. Quando entrega, não recebe nem muito obrigada ( salvo alguns poucos que mantém a polidez). Bem, já desvirtuei. Again

O voto que eu dei para o Aécio foi com um certo receio. Um "sei que não é o cara" . O discurso dele com a família em São João Del Rey pedindo voto me irritou. TFP. Tradição, Família, Propriedade também são valores obsoletos. Não que não valham separados, mas somos hoje um modelo de sociedade complexa.  Defender valores que, se sabe, não funcionam na vida real, apenas para discurso, é uma tristeza. Mas votei. Não tive escolha. E liguei para um amigo que me disse "descobri hoje que a Marina é evangelista", se referindo a religião da candidata, ele não articula bem as palavras em português, pois vive há muito na França, mas faz questão de votar nas eleições do país que nasceu ( ele também lê muito). E continua do outro do lado da linha enquanto eu caminho pela rua Rivoli contando que votei no Aécio: "eu prefiro votar no pobre que rouba do pobre do que no rico que rouba dos pobres. Por isso votei na Dilma." Encerra. Eu desconverso e aceito. Não vou discutir com quem tanto respeito por pessoas que não merecem meu respeito. Que sinuca. Ficam os amigos. Vão-se os candidatos. 

Fica a imagem do Brasil do Vidigal, onde passei bons momentos quando estava no Rio... Só para contar que tenho uma série inédita de #BOYSVIDIGAL para uma expo em 2015!



 E é assim o meu Brasil, estou fora, mas estou dentro. Um país emoldurado pela pobreza, com tanta riqueza a ser mostrada, vivida e explorada. Tudo clichê. Fuck off. 
Que vença o menos nocivo para meu país tão descuidado. 
Bisous
A+

2 comentários:

Slex disse...

Completamente de acordo Ana, o que vc disse traduziu exatamente a minha opinião, e se esse governo do Pt continuar no poder, ai de nós brasileiros que apenas queremos trabalhar e ter um padrão de vida decente, que está cada vez mais difícil de conseguir manter nesse país de roubos e escândalos, e agora, inflação e insegurança.

blog do L e a l disse...

Congratulações pelo teu lúcido texto, comprova vez por todas que no acuro pela estética e pelo bom gosto não se perde, não se contrapõe o ético e as boas escolhas políticas! Ab. Eduardo Leal

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