Paris souvenir...

Amuletos

Foi por causa de um souvenir, desses que os sem papel que vivem se esgueirando pelas ruas e metrôs de Paris vendem, que eu decidi vir morar aqui. Quero dizer, não exatamente por causa deles, mas o efeito que esse pedaço de lembrança que a gente carrega barato na bolsa causou em mim, fixou a ideia forte na minha mente. Em 2005 vim passar uns dias em Paris para refrescar a cabeça. Levei comigo uma pequena bola com a torre Eiffel dentro. Quando eu a revirava, via flocos de neve dançando no cenário que hoje é meu dia-a-dia. Usei esse pedaço de Paris como um despertador visual. Toda vez que eu o visse, tic-tac. Era uma senha para eu me lembrar que eu tinha que voltar. Eu precisava viver dentro dessa bola. E vivo.




It was because of a souvenir, like those that the paperless people that keep sneaking themselves by the streets and subways sell, that I decided to come to live here. I mean, not quite because of it, but by the outcome that this cheap piece of memory that we carry in our bags caused on me, it stuck this strong idea on my mind. In 2005 I came to Paris for a few days to refresh my mind. I brought along a small ball with the Eiffel tower inside. When I shook it, I saw snowflakes dancing on this scenario that today is my day by day. I used this piece of Paris as a visual alarm- clock. Every time I saw it, tic-tac. Like a password to remind me I had to come back. I had to live inside this ball. And so I do.


torre


De novo ela: quando viro a esquina do meu pequeno apartamento- escritório-estúdio-redação sempre me deparo com a torre. São inúmeras vezes. Inúmeras luzes contra e a favor. Por isso, me dou o prazer de simplesmente publicar algumas imagens, porque é assim que eu a vejo: muitas vezes com o sol no rosto. Uma neve no olho. Entre um passo e outro bem rápido para buscar algo na feira que fica logo ali, na frente do Museu, exatamente onde Basquiat e tantos outros mestres estão alojados... Mas eu não. Eu não estou alojada (inquietudes se fazem necessárias sempre. Crescimento. Evolução. Força motora) em lugar nenhum. Nenhum fixo. Estou em todos os lugares. Quero ver tudo. E vejo...



And there it is again: when I turn the corner from my small apartment-office-studio-news room I always face the tower. Countless times. Countless lights against and pro. And for that reason I pleasure myself of simply publish some images, because that’s how I see it: many times with the sun on my face. Snow in the eye.
Between a step and another very fast to pick up something at the fair that is right away, in front of the museum, exactly where Basquiat and many other masters are sheltered…But I don’t. I’m sheltered ( restlessness are always needed. Growing. Evolution. Driving Power) nowhere. Unsettled. I’m everywhere. I want to see it all. And I do...

peless
Vejo a moda das grandes vitrines, dos grandes desfiles. Vi Karl Lagerfeld pressagiar o inverno mais frio dos últimos 40 anos com um desfile no meio de um Iceberg importado da Escandinávia no começo do ano no Grand Palais! Clique aqui para rever. 




I see fashion on the great shop windows, from the big runaways. I saw Lagerfeld predict the worst winter in 40 years in a runaway show in the middle of an iceberg imported from Scandinavia by the beginning of the year at Grand Palais. To see it here.



fome

Mas também vejo a moda da mãe que se alimenta para poder levar o filho em frente na vida. A vida ( de novo ela. Sempre redundâncias nesse blog, lembram?) é assim mesmo: marcada pelo nosso desespero em sobreviver. Alguns com mais calma. Outros nem tanto...Todos com as mesmas necessidades básicas...Sempre bom lembrar: somos feitos da mesma matéria...Karl tinha razão: iríamos precisar de peles para aguentar o frio e a geleira. As da Chanel eram todas falsas. Ecológicas. Assim como terão de ser as da semana de moda de Oslo que acontece no começo de fevereiro. Ficou decidido essa semana que peles de animais não entram nas coleções norueguesas.  Leia mais aqui.


But I also see fashion on the mom that feeds herself to be able to carry her son ahead on life. Life ( and there is it again. Some superfluities in this blog, remember?) is just like that: determined by our despair to survive. Some in a softer way. Some not quite…All with the same basic needs…Always nice to remember: we are made from the same matter…Karl was right: we’d need furs to bear winter and the glacier. Chanel ones were all fake. Ecological. Just like the ones from Oslo Fashion Week which begins early February should be. It become determined this week that animals furs don’t enter the Norwegian collections. Read more about it here.



paris2


Bem, mas fora o delicioso mundo da moda que vende o luxo, o delicioso de tudo é poder ver a moda em absolutamente tudo. Porque ela não é um fato isolado. Um privilégio de quem vive na rive gauche ou droite. Aliás, é completamente fora de moda achar que quem mora em lado ou outro é mais chique ou menos. 




Well, but beyond the delicious fashion world that sells luxury, the delicious of all that is to be able to see fashion in absolutely everything. Because it is not an isolated fact. It’s a privilege for whom lives at rive gauche or droite, by both sides. Besides, it’s completely out of fashion the perception that who lives in a side or another is more chic or less of it.


museu

Na Paris de hoje, século 21, chique é ser educado e cool. E livre. 


On Paris today, by the 21th century, chic is to be polite and cool. And free.


Paris
 

Bem cool, entendeu? 
E eu aqui no meu projeto de vida Closer. Filme que eu amo. Eu também não posso tirar os olhos de você. Mesmo que eu quisesse, Paris não me deixaria descansar. Preciso desses olhares para fazer a moda viver aqui no blog e em mim...Filosofei...


Really cool, got me?

And here am I in my Closer life project. A movie that I love. I also can’t take my eyes off of you. Even if I wanted to, Paris wouldn’t let me rest. I need those glances to keep fashion alive here in the blog and on me… I philosophized it…




Bonne nuit
Quase 2011
Good morning
Almost 2011

Beijos
XXXX
A+



Translation by Juliana Cintra Mercadante

6 comentários:

Laís Costa disse...

Creio que para fotografar como você, Ana, tem que ser livre, como disse o poeta Manoel de Barros aqui da minha terra (Cuiabá), para o silêncio das formas e das cores.
Os seus posts produzem um encantamento imediato e fazem do seu blog uma parada muito especial, seja para refletir ou contemplar suas fotos.
Feliz Ano Novo!
Laís Costa (@_laisdscosta)

Maria Tereza disse...

Post lindo Ana!
a mistura moda + paris + olhares + vida, é irresistível e inspiradora - traz ar fresco!

Bjoss
Feliz 2011

Shirley Stamou - Garotas Modernas disse...

Ana,
Tudo lindo, as palavras, as imagens.
Poético como Paris.
beijos,

Roberto Ferreira Designer disse...

Cara Ana, sempre leio seu blog e este, em especial, causou-me arrepios. Nasci sonhando com a sua Paris e, somente aos 36 anos, após encontrar o amor, pude conhecer Paris como presente de casamento. Em tempo: meu companheiro me proporcionou nosso encontro e meu aniversário em Paris. Quando a vi pela primeira vez (Eiffell), nada senti, pois qualquer sentimento seria pequeno e ínfimo. Então, simplesmente extasiei-me com cada esquina, cada detalhe que poderia passar despercebido por um turista qualquer. Não era um turista, era um peregrino de volta a casa. Não sou espírita, mas assim me senti. Hoje, sou professor de moda e, sempre que posso, entro ou saio da Europa pela cidade-luz. Luz para os outros, mãe para mim. E, quando parto, sinto que preciso voltar. Não é pelo glamour, não é pela cultura, não pelo "bonjour", não é pelo croque monsieur. É por tudo isso. Então, obrigado por realizar o meu maior sonho. Estar, extasiar-se com, viver e conviver em Paris. Feliz 2011! Feliz Paris!!!

Ivânia Santos (Diamond) disse...

Omg!!

Queroooo uma torre eiffel daquelas :0

Love it <33
Belas fotos*

cetim disse...

Tem pra todos os gostos e bolsos!!!

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