Balenciaga: um mito à mostra




Embora Paris atualmente não seja a primeira no ranking de nùmeros no milionário mercado da industria têxtil, perdendo para Milão o posto de capital da moda, é aqui que o glamour, a filosofia e a arte a encontram todos os dias. E um desses cruzamentos históricos acontece até 28 de janeiro de 2007 com a exposição Balenciaga Paris com 150 modelos da maison Balenciaga em cartaz no Museu da Moda e Têxtil, um complexo que está coladinho ao Louvre. Na mostra uma conexão entre o passado triunfal de um grande mestre, o espanhol Cristobal Balenciaga e o arrasador momento presente da grife sob o comando do jovem Nicolas Guesquiére. O estilista francês conseguiu recriar o espírito "mitico" do passado em torno do mestre sem contudo reproduzir as peças, sem copià-las. Essa incrível teia que se faz entre passado e futuro fica visivel na mostra com 127 peças de Cristobal e 23 de Nicolàs.



Para Christian Dior Cristobal Balenciaga foi o mestre de todos eles. Igualmente Coco Chanel, Courréges e tantos outros se rendiam a ele. O espanhol nascido em 1895 na pequena cidade de Gétaria, país basco, começou cedo a fazer roupas. Encorajado pela marquesa de Casa-Torrés ele aperfeiçoou seu talento em uma escola de Madri. Aos 24 anos abriu sua primeira maison em San Sebastian e começou suas viagens a Paris. Era uma época difícil. Logo logo Balenciaga se mudaria para a capital francesa para fugir da Guerra Civil espanhola de 1936. Ao chegar aqui de cara abriu sua maison no número 10 da avenida George V ( endereço onde a maison permanece até hoje). Sua primeira coleção foi apresentada em agosto deste ano e imediatamente seu estilo se impôs.





" Os compradores e a imprensa se batem como num jogo de futebol para ver a coleção de um jovem espanhol que revoluciona a moda", escreve o jornal Daily Express, em fevereiro de 1939. As peças de corte perfeito, a utilização do preto e branco para vestidos de noite, tudo isso sem abandonar um estilo típico espanhol com capas de toureiro, boleros bordados, mangas bufantes ( que agora reaparecem como uma forte tendência nas mais variadas coleções) o transformam na estrela da época. As mulheres mais chiques pagavam fortunas para ter uma roupa dele. Balenciaga podia fazer em um sò dia 120 revisões de roupas. Cuidava minuciosamente dos menores detalhes daquilo que era produzido por sua maison. Fez vestidos célebres como o de casamento da rainha Fabìola da Bélgica que virará em 2007 uma das peças da Fundação que levará seu nome na cidade onde nasceu. Quem està à frente desse projeto é Hubert Givenchy. É ele quem cuida da organização das homenagens eternas que estão sendo montadas para o amigo e protetor. "...ele era o homem da linha direita. Tudo era nítido na sua vida assim como as suas criações. Se pedissem a ele um conselho, respondia:


" Seja natural que as coisas vêm..."






Sábio, Balenciaga dizia que uma mulher não precisava ser bonita para usar suas roupas, elas se tornariam belas ao porta-las. Dizia ainda que "um bom costureiro deve ser:" arquiteto para os planos, escultor para a forma, pintor para a cor, músico para a harmonia e filósofo para a medida ". Por isso suas criações tinham uma característica que encantava as mulheres: escondiam imperfeições. Não eram totalmente ajustadas ao corpo ( e continuam assim no atual trabalho da grife). Essa sedução que Balenciaga causava nas mulheres o fez um costureiro de alta-costura. Certa vez ao visitar New Jersey, Estados Unidos, e ver peças serem reproduzidas industrialmente chegou a conclusão de que não poderia ter suas roupas feitas assim. Era um homem de alta-costura. Não queria se render ao prêt-à-porter. Como de fato não o fez. Sua clientela não se importava em pagar o preço que fosse para continuar a tê-lo como estilista. A loucura por suas roupas tem histórias célebres como a de Madame Biddle que em uma sò vez escolheu oito vestidos e colocou 40 pessoas para trabalhar em torno de suas encomendas. A condessa Bismarck ( que recentemente fez uma exposição em sua casa em Paris com 40 peças de Balenciaga) ficou dois dias de cama quando em 1968, teve a notícia que Cristobal fecharia sua maison e se recolheria na Espanha, lugar de onde jamais se desligou. Ao se "aposentar" ele declarou que "não existia mais lugar para o luxo e a elegância". Ao morrer em 1972 Cristobal deixou um vazio no ar.

Um costureiro lendário que influenciou o mundo da moda, a antecipou. E hoje quando a criação chega em alguns momentos a perder o fôlego dada a ferocidade do prêt-à-porter de necessitar produzir nùmeros o mundo de Balenciaga soa puro e necessário de ser resgatado.

Ilações sobre o luxo

A Balenciaga foi comprada em 2001 pela PPR, holding concorrente direta da LVMH (que têm entre muitas coisas a Louis Vuitton e Moet Chandon), dona da YSL e Gucci e também da Fnac. Sua imagem vinha sendo explorada suavemente atè que as magnificas criações de Nicolas Guesquiére passaram a virar hits. Toda essa ascensão pode ter ligado as antenas do grupo que parece estar se preparando para investir mais na grife que tem fama, desde a época de seu criador, de não ser muito comercial.


Com a exposição seu nome entra naturalmente na mídia e aguça mais o desejo de consumo. Justamente agora a PPR vendeu a Printemps, uma das grandes magazines de Paris. Os boatos são de que o dinheiro da venda no valor de 1 bilhão e 75 milhões de euros para dois grupos compradores, um minoritário, italiano e outro, com 70% das ações, ligado ao banco alemão Deustche, vai se reverter em um investimento maior no mercado do luxo ( na Balenciaga?). Esse cresceu 30% em 2005.



A loucura que o mundo da moda revive com Balenciaga evidencia o atual desejo feminino. O que quer ser e busca. Uma roupa de excelente corte e caimento, confortàvel, mas que em momento algum revela o corpo feminino como um objeto. Balenciaga 2006 faz roupas assim. Lançou uma coleção com saltos de plataformas altíssimas ( longe de serem confortáveis ou femininas, um contra-senso nessa història), saias curtas mas largas, boleros, casacos, vestidos bordados (como o grande mestre). Tudo com corte perfeito e nenhuma preocupação em fazer o que a tendência está apontando. Por isso mesmo agrada e é cultuado.


Foi Balenciaga quem trouxe de volta os babados e as calças justas que estão em alta agora. Nicolas Guesquiére o fez na coleção passada. Depois disso todo mundo copiou.



Nicolas Guesquiére declarou recentemente que prefere importar certas técnicas da alta-costura e aplicà-las no prêt-à-porter. Ao contràrio de Cristobal, que se negou a fazer seus tailleurs e técnicas industriais e por isso mesmo se retirou da grande mídia, o atual diretor criativo da grife ama a idéia de propor dentro de uma mesma coleção roupas que custem entre 100 mil euros e 250.

ÌCONES DE ONTEM

Os mantôs sem gola que permitiam às mulheres mostrarem suas pérolas, os boleros, as túnicas, o vestido-balão. O uso de cores fortes como o verde e o violeta.


ÌCONES DE HOJE
A bolsa Balenciaga é um dos acessòrios mais copiados do momento. As jaquetas mil-folhas. As calças sequinhas da penùltima estação.





Museu da Moda e Têxtil
Exposição Balenciaga Paris
107 rue de Rivoli, 75001 Paris
De 6 de julho de 2006 a 28 de janeiro de 2007

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