Couture street Paris...Vogue Brasil...Pretty woman...










Pretty Woman is back. Quem lembra de Julia Roberts no filme de 1990 onde ela contracena com Richard Gere? Bem, entre o estilo das  garotas de rua interpretado pela atriz norte-americana e o das musas do street style de Paris, como Ece Sukan ( na foto) não existe muita diferença, apenas 25 anos de distância, você gosta? Se anima? Tem coragem de encarar? Eu não. Ela pode porque é da moda. Tem mais fotos street couture Paris na minha galeria exclusiva para a Vogue Brasil. Entra lá pelo link aqui:


Uma música? Escuto agora sem parar...




Bisous
Paris 2015

Couture Paris hiver 2015...Dior...Chiara Ferragni ...


Começou com beleza a primeira semana de Couture do ano de 2015. Chiara Ferragni surprende na Dior. Para constar que hoje as frequentadoras de desfiles são separadas em cotas. São bloggers escolhidas a dedo, vestidas com as roupas da marca. Para constar também que, quem vai ao desfile da Dior não vai ao da Chanel. É uma exigência das maisons ao patrocinarem algumas personalidades ( informação dada por uma blogueira de peso que está nesse time de exclusivas). Enfim, tudo se resume a um grande balcão de negócios,  firmado antes em almoços, reuniões com agentes e cachês não sei, mas acredito que algumas recebam e muitas queiram mesmo aparecer e depois vender outros produtos em seus sites e blogues. No caso da Chiara, ela tem a marca dela. No de muitas outras, vendem de pacotes de viagens a kits de clareamentos para os dentes. Um mercado fantástico para alguns e duvidoso para outros. É o anti-jornalismo de moda. Nada tem a ver com quem fala sobre roupas, shapes, criações, que fique claro. É jabá puro.

 Depois de fechado quem vai onde, elas se preparam como stars e aparecem para viver esse momento quando algo em torno de 200 fotógrafos ( a maioria mal-educados, diga-se de passagem) se batem para scanear as moças e vender as fotos. Fora as bloggers que são as responsáveis pela pulverização gratuita e instantânea das imagens da marca pelo mundo inteiro ( o que aguça o desejo de milhões de seguidoras em querer ter essa beleza, essa roupa, essa realidade tão frívola, mas ao mesmo tempo complexa. Um paradoxo que não se desvenda em apenas uma simples postagem. Que conste também), temos as editoras das revistas, os consumidores, os produtores e alguns stylishs realmente importantes. São eles que garantem editoriais e celebridades maiores nos tapetes vermelhos com as roupas da couture. É assim que o tal circo está estruturado. Um pouco sem romance. Zero poesia? Não. Onde existe vida temos a possibilidade de vermos expressões que nos façam amar a moda. E é por esse caminho restrito e doce que vou. Amei o look da Chiara. O costume seco perfeito no corpo e o detalhe da voilette. Primeira tendência forte: um classicismo sedutor, mas sem muitos fru-frus. Amo isso. E também a cor de cabelo da Chiara. 



Os 70's nunca morrem...

Achou que podia guardar o casaco King-kong no fundo do armário? Não. Ele não dá trégua. Faz frio e vai muito bem com o vestido Folk que volta pela milionésima vez em versão bem original. Eu já tenho o meu. Sempre funciona. Não esquecer: maquiagem fraca e sem brincos. Eles estão em baixa por aqui. Acredite. 




E para contrabalançar, um pouco de aristocracia...



A França não existe sem os bordados. A broderie française é uma das maiores tradições que as grandes maisons fazem questão de manter. Para usar com categoria? Um budget enorme. Só vale se você tiver os originais. A coleção passada de Raf Simons para a Dior trazia peças inspiradas na idade média, mas bem adaptadas para aos nossos tempos. Eu, particularmente, acredito em dois caminhos que podem salvar a moda: a história e o vanguardismo.

Na história corre-se o erro de fazer fantasias. No vanguardismo, cria-se novas necessidades. E sempre as teremos.
Bem, a semana de moda continua até amanhã ( quinta, mas os grandes desfiles até quarta).
Vou acompanhar e publicar apenas o street a minha maneira aqui, no meu insta @anagarmendia e também preparo uma galeria especial para a Vogue Brasil.


Uma influência feminina...




Bisous
A+


Oui, je suis Charlie... Charlie Hebdo...






Lembro bem a primeira vez que fui morta por ser jornalista. Final dos anos 90 e eu, recém-formada, tinha o sangue quente e a cabeça fervendo de ideias, características que ainda tenho até hoje em relação ao trato da minha profissão. Volto logo para essa morte, antes preciso explicar uns detalhes. 
Vamos lá: sou uma jornalista por acaso. Seu for acreditar em destino: ele me escolheu. Quando saí de casa, da pequena Bagé no Pampa Gaúcho, aos 17 anos, para estudar em uma grande cidade, ouvi meu pai dizer: "jornalismo é furada". Naquela época, era um sonho ir morar sozinha e não importava a faculdade que eu fizesse. O que valia era a independência da cidade que nasci e não da minha família, que me criou livre. Em casa, não conheci a palavra repressão. Tudo era permitido, desde que não feríssemos aos outros e a nós mesmos.  Assim entrei no curso de Comunicação Social, opção Relações Públicas com a aprovação e respeito dos meus pais e quando fui convencida pela turma que eu passava minhas noites fazendo festas e trocando ideias a mudar para o Jornalismo, recebi o sim absoluto da família. Eu tinha a certeza que eu iria adentrar a uma profissão que, se levada à risca na ética e no tradicionalismo, é sacerdócio,  mesmo assim, fui. Sem medo. "Você não tem nada a ver com Relações Públicas. Vem pro jornalismo" diziam meus amigos, uns nove poetas, fotógrafos, sonhadores aos quais eu vivia grudada e os ouvia como se fossem deuses. A palavra deles tinha um sentido incrível e hoje sei que muito da não vasta cultura literária que tenho me foi introduzida por eles. De Gabriel Garcia Marques a Bukowski. Depois me soltei e achei meus escritores favoritos, mas aquela turma da faculdade mudou meu futuro. 
Voltei.
 Dentre os meus inúmeros assassinatos: ao me tornar jornalista, comecei a ser fuzilada. Fui morta ao perguntar a um bispo porque a igreja católica condenava o uso da camisinha,  embora eles tivessem inúmeros casos de HIV dentro das congregações. Fui assassinada por usar salto alto na redação e ter a humildade de deixar claro que eu precisava da ajuda dos meus colegas para desenvolver uma matéria sobre saúde e depois fui assassinada mais umas quatro ou cinco vezes por simplesmente discordar com o assédio de um chefe ou até mesmo por não direcionar a pauta como a pauteira do jornal queria. Sempre acreditei que o leitor merecia a verdade. Nunca o lixo dos interesses desse ou daquele grupo, por isso acabei me deixando outras vezes ser brutalmente assassinada. Me mataram recentemente para limpar a sujeira de uma administração vaidosa que, no afã de desenvolver uma rede de revistas, acabou dizimando mais outros 50 jornalistas. Me mataram por eu não ser ambiciosa ao ponto de mentir ter dons que não tenho. E seguem me matando por eu ser uma profissional que antes de ver os cifrões, não vende a alma para o diabo. Mas o mais impressionante é que quanto mais eu morro, mais eu nasço. O jornalista nasce para morrer mil vezes e renascer na resistência. Por isso JE SUIS CHARLIE baby e nada vai me matar a ponto de que eu não posso me levantar e continuar.   Europa, 
Texto escrito no trajeto entre Berlim e Paris. 
Imagem da capa da edição do jornal Charlie Hebdo lançado ontem aqui em Paris.


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